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All reviews - Movies (77)

Preciosa e Safira

Posted : 7 years, 5 months ago on 12 March 2010 06:06 (A review of Precious)



Ramona Lofton nasceu em 1950 no interior da Califórnia, filha de militares que estavam sempre viajando, até que seu pai decidiu se fixar em Los Angeles e a família se desfez com o abandono por parte de sua mãe sucedido pelo alcolismo; largou o colégio, mudou-se para São Francisco onde também abandonou os estudos numa faculdade comunitária e começou a participar de movimentos de contracultura, Black Power, passou a usar drogas e escrever poesia onde assinava Sapphire.

Aos 27 anos mudou-se para Nova York com a intenção de ser escritora, prostituiu-se e entrou para comunidade lésbica “uma saída para a vida que meus pais tiveram”. Aos 33 formou-se em dança na faculdade pública do Brooklyn e aceitou emprego como assistente social e posteriormente como professora de alfabetização em áreas pobres como Bronx e Harlem, onde morava. Em 86 sua mãe faleceu e seu irmão assassinado, seguido de anos escuros que mudaram sua escrita e trouxeram a superfície lembranças dos abusos sexuais cometidos pelo pai em sua infância.

Escreveu poemas usando a perspectiva de um dos agressores, onde tentou mostrar como a ignorância e a falta de esperança pode facilmente evoluir para a violência gratuita, e durante seu mestrado na mesma faculdade do Brooklyn publicou uma coletânea e posteriormente recebeu uma enorme quantia para publicação de dois livros. “Push” foi publicado em 96 e tem por toda parte a vivência de “Safira” em mais de um personagem: na protagonista, no incesto, na escola de alfabetização, na homossexualidade de sua professora, na assistente social.

Precious é pobre, negra, obesa, analfabeta, abusada sexualmente pelo pai, com quem teve uma filha a quem chama de Mongo “de mongolóide”, ela relata para a assistente social, a criança criada pela avó tem síndrome de down, Precious está grávida novamente. A adaptação para o cinema por Lee Daniels, assim como em Shadowboxer (2005) é cru e imediato, fugindo de qualquer indulgência.

A beleza extraída de um roteiro tão trágico quanto polêmico se deve as incríveis atuações da Gabourey Sidibe e Mo’Nique (incrível ), ambas com indicações ao Oscar, Mariah Carey, como assistente social, Lenny Kravitz, enfermeiro no segundo parto de Precious. Precious: Based on the Novel Push by Sapphire(2009) ainda concorre a melhor filme, edição, direção e roteiro adaptado.

Em Shadowboxer, a personagem de Mo’Nique se chamava Precious.


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Amor Sem Escalas

Posted : 7 years, 5 months ago on 12 March 2010 06:01 (A review of Up in the Air)

Em “Up in the Air”(2009), George Clooney é um executivo em uma consultora terceirizada que fornece seus serviços quando empresas enfrentam demissões em massa. Clooney é quem faz o tête-à-tête com os funcionários e lhes anuncia suas demissões sob a circunstância eufemista de “conselheiro” em um período de “transição de carreiras”. Passa 322 dias do ano l0nge de seu apartamento alugado e sucinto como tantos quartos de hotel em que passa. Família, ressentimentos e relacionamentos são alguns itens a serem despejados da mochila que carregamos diariamente, numa analogia que embasa suas palestras motivadoras; pouca bagagem é seu ideal.

Quantos filmes não vimos em que o charmoso e heremita protagonista em algum ponto é forçado a julgar que o sucesso, fama, dinheiro, ou no caso, milhões em milhas, não é nada se não temos com quem compartilhar ? Para cumprir essa premissa entram em sua vida Alex, sua versão feminina (“Pense em mim como a si mesmo com uma vagina”), com quem inicia o relacionamento perfeito de encontros casuais, e Natalie, jovem contratada da empresa acompanhando os métodos de trabalho do protagonista. Em atuações que não justificam as indicações que Vera Farmiga (de e O Menino do pijama Listrado(2009), Quid Pro Quo(2008) e Os Infiltrados(2006), apesar dos méritos na formação de uma sólida carreira) e a mediana atriz da franquia “Crepúsculo”( já diz tudo) Anna Kendrick receberam.

“Amor Sem Escalas” é,de fato, um bom filme, ágil, cativante e com excelente cinematografia, belíssima composição visual nos créditos iniciais; há boa química entre os protagonistas numa sofisticada comédia romântica, ainda que não seja uma comédia romântica. O fator que integra a fita diz respeito a abordagem espirituosa (assim como fez em Juno(2007) e Thanks for Smoking (2005)) e reducionista de Jason Reitman tratando do tema das demissões em massa.

Alguns europeus, o francês Ressources Humaines(1999) por exemplo, já haviam trazido esse amargo resultado do corporativismo capitalista em tempos de recessão, mas Jason roterizou o romance homônimo de Walter Kirn em um blockbuster americano. O ponto alto no enredo da crise econômica está na sempre magnética presença de JK Simmons (Burn After Reading (2008) e Juno) está entre os demitidos, que inclusive figuram um epílogo relatando algumas otimistas experiências que podem ser extraidas em uma “transição de carreira”: seis indicações ao maior prêmio do cinema americano: condescendência.


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Crazy Heart

Posted : 7 years, 5 months ago on 12 March 2010 05:11 (A review of Crazy Heart)

“Coração Louco” é um longa que facilmente poderia ter ido direto para DVD se dependesse exclusivamente do enredo e direção do estreante Scott Cooper, que flerta com clichês do início ao fim, apresentando um filme convencional, previsível, com cara de anos 90 e resultou em três indicações ao Oscar. Culpem Jeff Bridges.

Bridges evoca seu Big Lebowski, principalmente na abertura do filme locada numa pista de boliche, mas Bad Blake não está lá por esporte, e sim para alguns trocados. O ator, ou, melhor ator, da alma ao cantor e compositor de música country Bad Blake. Aos 57 anos, completamente decadente, leva na bagagem um comportamento auto-destrutivo, casamentos falidos e um filho que não conhece. Sua rotina é passar dias na estrada, de motel em motel, apresentando-se em bares de cidades do interior, sempre entre uns tragos e vários goles de whisky.

É interessantíssima a personificação de Blake, sua postura é visceral e autêntica contracenando com seus coadjuvante. Maggie Gyllenhaal, mãe solteira que trabalha como jornalista para um jornal local de Santa Fé que se envolve romanticamente com Blake mas apesar dos esforços de ambos, ele parece já estar ‘quebrado’ pordemais. Colin Farrel é um pupilo de Bad Blake que alcançou a fama com as composições de Blake, que se vê obrigado a abrir seus mega estruturado shows. Robert Duvall, também produtor, tem um pequeno papel com dono de bar e amigo de Blake.

Um instinto de intimidade ressona numa modéstia positiva que deixa espaço soberbamente valorizado pelo elenco. Bridges no topo, concorrendo e certamente levando a estatueta de melhor Ator (aliado a exímia atuação e a falta de concorrência, Jeff Bridges já foi indicado outras quatro vezes e injustiçado em Big Lebowski), Maggie Gyllenhaal, com nomeação mas certamente não tem o impacto de Mo’nique (coadjuvante em Preciosa). Colin Farrell, cada vez mais versátil e pontuado, também foi um grande acerto em Crazy Heart(2009). O filme ainda concorre com “The Weary Kind” a canção original.


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A Serious Man

Posted : 7 years, 6 months ago on 24 February 2010 10:51 (A review of A Serious Man)

A Serious Man (2009) é um filme fascinante, o melhor entre os indicados ao Oscar, o que o torna infelizmente por demais subestimado enquanto seus ordinários e previsíveis concorrentes são exaltados. Não é um longa apelativo, nem de identificação imediata com o protagonista Larry Gopnik, um professor de física judeu, nem por isso menos, ou melhor, exatamente por isso é soberbo.

O breve entusiasmo de Larry acontece quando ensina o paradoxo de Schrodinger para uma platéia nada recíproca, e essa falta de conexão parece invadir sua vida. Sua mulher o aborda numa inesperada conversa onde num único parágrafo é capaz de pedir o divórcio, exigir uma cerimônia religiosa para tal, nomear seu atual amante e o expulsar para um quarto de motel. Seus filhos também tem vida própria ainda que não respeitem, ou comovam-se, em nenhum momento com a dele.

A “perspectiva” é evocada não só quanto ao fato do gato de Schrodinger estar vivo ou morto, mas igualmente no folclore iídiche apresentado na forma de prólogo, um homem auto-proclamado racional recebe outro para jantar enquanto sua mulher acusa o convidado de dybbuk, um morto-vivo. Assim como das fábulas bíblicas, Larry quer extrair um significado das coisas que acontecem, das decisões que parecem estar sendo tomadas por terceiros, seja na sua profissão ou família, e procura sua resposta na sabedoria de três rabinos, enquanto tenta se manter correto: um homem sério.

A narrativa é precisa e ainda assim, como o protagonista, não temos idéia alguma do que está por vir, acompanhamos o desenrolar da mesma forma que Larry, tentando compreender uma razão maior, duvidosos do acaso ou completa falta de sorte. Essa soberba sincronia, numa exímia edição, executadas pelos próprios irmãos Cohen sob o pseudônimo de Roderick Jaynes, transbordam a genialidade na forma mais autoral e madura dos cineastas.


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An Education

Posted : 7 years, 6 months ago on 24 February 2010 10:11 (A review of An Education)

“An Education”(2009) é um filme difícil de se comprar. Ao contrário do que tenta vender, um romance de uma jovem ingênua seduzida por “um grande Gatsby”, o ensaio autobiográfico é sinônimo de auto-engrandecimento de sua autora, Lynn Barber.

Assim como no romance de Fitzgerald o pós-guerra pontua a Londres suburbana da década de 60, onde Alfred Molina é mostrado inicialmente como pai disciplinador e implacável quanto ao objetivo que sua filha consiga uma vaga em Oxford. Jenny está empenhada e parece corresponder as expectativas do pai enquanto no tempo livre sonha em viajar para a Paris.

“Serei francesa e vestirei preto” num momento Acossado(1960) de Godard, Jenny adora lançar sentenças no idioma francês, escutar Juliette Greco e discutir existencialismo com suas amigas de colégio(ok.). Durante uma tempestade, a adolescente prodígio é abordada um judeu balzaquiano num Bristol vermelho que oferece para proteger seu violoncelo da chuva e Jenny aceita a carona.
Ele convida a estudante para um concerto de verdade e logo depois Jenny já está fugindo do colégio para participar de leilões de obras de arte, das quais se mostra vívida amante e conhecedora e igualmente desenvolta na companhia de David e seu sócio em jantares regados a champagne. Em poucas semanas Jenny já é uma mulher e cúmplice da lábia de David que seduz seus pais a deixá-la viajar num fim de semana e posteriormente para Paris. Claro que há algo de oculto em David e a previsão de um desfecho infeliz é iminente.

O roteiro de Barber e Nick Hornby (“Um Grande Garoto” e “High Fidelity”) segue glorificando a arrogância da jovem que faz questão de relatar seus mimos para todo colégio e desacata suas professoras dizendo como são graduadas porém ‘mortas’ enquanto ela ouve música boa em lugares fascinantes. Essa exaltação e manipulação para essa espécie distorcida de heroísmo na personagem de Carey Mulligan é irritante, ela sequer está apaixonada pelo excelente e preciso Peter Sarsgaard, que parece ele estar apaixonado e tem ciúmes e não um predador.
Quando ela descobre seus negócios ilícitos de David não se abala pois eles que financiam seu novo mundo cheio de sofisticação, viagens e festas no jockey. O anticlímax é a primeira noite de amor, crua, quando Jenny conclui “Toda aquela poesia e todas aquelas canções sobre algo que não dura nada”.

Jenny não foi cegamente seduzida, assistia David mentir para seus pais e roubar obras de arte e ainda assim abandona o colégio para casar-se com ele, para manter os mimos que desejava e sua prepotência é capaz de culpar os pais pela imprudência de deixá-la sair com um rapaz mais velho caso as coisas não dêem certo. É irritante vê-la associada a alguma espécie de vanguarda ou feminismo quando Jenny é mimada, interesseira e arrogante.

As lentes da dinamarquesa Lone Scherfig abusam do seguro e deixa o filme redondo. A bonequinha de luxo teen acaba de render o BAFTA de melhor atriz para Carey Mulligan, mas o melhor filme britânico, ainda que o desfecho seja o mesmo que em “An Education” foi para o crível e sensível “Fish Tank”( [Link removed - login to see]) .


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Baumbach em Berlim

Posted : 7 years, 6 months ago on 18 February 2010 07:58 (A review of Greenberg)



Noah Baumbach inicialmente apresenta Florença(Greta Gerwig, conhecida de mumblecores), assistente pessoal de uma rica família de Los Angeles, que aos 25 anos se divide entre as funções de governanta, babá, secretária e, com a família tirando férias prolongadas, além do cachorro é encarregada de ficar de olho no recém-chegado irmão do patrão. De Nova York recém-saído de uma clínica após uma crise, Roger Greenberg decide “fazer nada da vida” por um tempo enquanto redigi cartas de reclamação para empresas e tenta se reconectar com antigos amigos e se redescobrir a cidade natal.

São Greta Gerwig(atriz de mumblecores) e Ben Stiller os protagonistas de “Greenberg”(2010), quinto filme do roteirista de The Life Aquatic with Steve Zissou (2004) e Fantastic Mr.Fox(2009) de Wes Anderson, com quem divide a temática da tentativa de explorar o ethos contemporâneo, consegue sua assinatura num tratamento mais cru e ácido dessa ingrata busca de uma realização pessoal numa geração que não encontra mais satisfação/motivação na construção de uma família ou de um império.

O roteiro foi escrito em parceria com sua mulher Jennifer Jason Leigh, que também atua sob a direção do marido(assim como em Margot at the Wedding(2007)). O casal, que trocou Nova York por Los Angeles, aborda a idissincrasia das cidades que são coadjuvantes em Greenberg, que teve premiere em Berlim esta semana.

A música “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down” do LCD Soundsystem inspirou o longa segundo Baumbach durante a coletiva no Festival: “uma canção sobre o envelhecimento, sobre a sensação de que você está perdendo o auge”.


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Sundance 2010

Posted : 7 years, 6 months ago on 2 February 2010 08:13 (A review of Obselidia)

Um solitário vendedor de enciclopédias decide documentar em VHS um catálogo de coisas obsoletas. Em sua jornada conhece uma jovem projetista de cinema mudo e juntos seguem para o Vale da Morte entrevistar um cientista recluso que prevê a quase extinção da população por mudanças climáticas iminetes e irreversíveis. Conduzidos de forma mansa e encantadora por Diane Bell, os protagonistas enfrentam o fatídico de nosso tempo, a questão, se o mundo acabar amanhã, o que fazer hoje ?

A roteirista e diretora orquestra uma carismática produção recheada de idiossincrasias e diálogos cativantes. Conectando a obsolescência e a durabilidade das coisas com a real ameaça do aquecimento global, que Bell pessoalmente credita à insaciabilidade consumista e, evocou referências que recontam a história do cinema de Wim Wenders em “Paris Texas”(1984) e Truffaut em “Jules et Jim”(1962) e “L’homme qui aimait les femmes”(1977), ao romance de Woody Allen em “Annie Hall”(1977) e de Richard Linklater em “Before Sunrise”(2004) assim como Luc Moullet em “Brigitte et Brigitte”(1966) e John Carney “Once”(2006) para a realização de Obselidia(2010).

Além do prêmio de ‘Excelência em Cinematografia’ na categoria Drama, para Zak Mulligan, o longa levou $20.000,00 da Fundação Alfred P. Sloan, prêmio concedido a filmes que enfocam a ciência ou a tecnologia como tema, ou descrevem um cientista, engenheiro ou matemático. Andrucha Waddington por “A Casa de Areia” e Werner Herzog por “Grizzly Man” também conquistaram esse prêmio em anos anteriores do Festival de Sundance.


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J.D. Salinger por J.P.Schaefer

Posted : 7 years, 6 months ago on 29 January 2010 12:15 (A review of Chapter 27)



Um tanto quanto subestimado, o trabalho do roteirista e diretor J.P. Schaefer, Chapter 27, lançado em Sundance 2007, evoca a conhecida obsessão do assassino de John Lennon pelo personagem principal da obra “The Catcher in the Rye” de J.D. Salinger, que possui 26 capítulos.

Schaefer mergulha na obscura peregrinação de Mark David Chapman nos dias que antecedem seu crime infame. Sua exímia interpretação sugere uma introspecção acerca de sua obsessão por John Lennon mais do que uma tentativa de explicar seus motivos. Nos poucos momentos que não envolvem os solilóquios de Chapman, surge a personagem de Lindsay Lohan, que engata um despretensioso diálogo entre fãs mas não demora a perceber algo errado no comportamento de Letto, que engordou mais de 20 quilos para dar veracidade necessária nesta fita minimalista e inteligente ao desconfigurar os atributos sobre e sub-humanos entre o psicopata e o ídolo.

Coincidências (aleatórias ou não) Mark Lindsay Chapman é o nome do ator que interpreta John Lennon. No mais, talvez esta não seja uma influência de que Salinger se orgulhasse mas demonstra o arrebatamento lírico de sua atemporal e mais cultuada obra.


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Sundance première

Posted : 7 years, 6 months ago on 27 January 2010 11:08 (A review of The Killer Inside Me)

The Killer Inside Me (2010) teve polêmica e première em Sundace esta semana quando muitas pessoas deixaram a sessão indignadas durante a exibição do filme. O novo longa do inglês Michael Winterbottom é um remake baseado no conto homônimo de Jim Thompson lançado em 1952 que foi descrito por Stanley Kubric, que trabalhou com Thompson em The Killing(1956), como “provavelmente a mais fria e crível história em primeira pessoa de uma mente criminalmente distorcida que eu já encontrei” e introduzido como “um dos mais intransigentes romances policiais já escritos” numa antologia de contos policiais noir da década de 50.

Para os que ficaram na sala foi elogiada a ferocidade da performance de Casey Affleck interpretando um sociopata oculto por seu ordinário comportamento como o jovem xerife Lou, que dá espaço a sua verdadeira faceta sádica quando inicia um relacionamento com a prostituta Joyce Lakeland, papel de Jessica Alba. A princípio a violência é consensual mas culmina com Lou a espancando até que apareçam os ossos da sua face, num resultado descrito como “carne de hambúrguer” por outro personagem. Com Joyce em coma o xerife inicia uma série de assassinatos na tentativa de mascarar a verdadeira identidade do agressor até que começa a dar sinais de sua insanidade e torna-se suspeito. E Winterbottom mergulha com fidelidade na perversidade explorando o noir em sua forma mais obscura.

O diretor, que costuma alternar entre temas político-sociais como A Doutrina de Choque(2009), O Preço da Coragem(2007),The Road to Guantanamo(2006), In this World (2002), Welcome to Sarajevo (1997) ou relacionamentos em família e amorosos, Genova(2008),White or Without you (1999), I Want You (1998), Butterfly Kiss (1995), nunca deixando de lado a sexualidade, exaltado o sexo no explícito 9 Canções (2004), onde confessou ir ‘em oposto extremo ao puritanismo e recalque da indústria cinematográfica’, parece ter agora atingido novos extremos.

A polêmica tem seguido não apenas pela gratuidade da violência mas pela misoginia do protagonista quanto as cenas que enfatizam a tortura com que as vítimas mulheres são brutalizadas, como a personagem de Kate Hudson. Quando perguntado após a sessão sobre a reação de uma espectadora que saiu gritando “Nojento!”, Winterbottom após segundos de silêncio disse: “Próxima pergunta?”


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um filme de Jonze e Karen O.

Posted : 7 years, 6 months ago on 27 January 2010 12:13 (A review of Where the Wild Things Are)

Spike Jonze se mantém fiel a temática de isolamento da consciência do indivíduo assim como em Quero Ser John Malkovich (1999) e Adaptação(2002), mas em Onde Vivem os Monstros (2009) a alienação da mente adulta dá espaço a solidão da psique infantil.

Inspirado no livro de ilustrações homônimo de Maurice Sendak, muito disseminado no mercado norte americano, que o diretor diz sempre ter se identificado, “como se já conhecesse os monstros, inclusive a escala, o tamanho da cabeça, algo de primitivo neles”, Jonze foi fiel ao forma dos seres fantásticos mas foi além conferindo-lhes personalidades próprias e distintas e identificando os sentimentos de levados da realidade de seu protagonista como ressentimento, angústia, fidelidade, mesquinharia e incluindo outros psicologismos nas interações das criaturas entre si e com o jovem Max.

Carol, por exemplo, o monstro mais simpático e sensível, em um momento mostra à Max uma maquete de como seria seu mundo ideal, reiterando a espiral da solidão e o modo individual de lidar com situações adversas; essa é a fantasia de Max. Negligenciado pela irmã mais velha e o pouco tempo que recebe da atenção de sua mãe, Max se rebela numa acesso de raiva quando a vê com seu namorado e foge; nesta fuga, velejando mar adentro, chega a uma ilha e se apresenta como rei, onde, proclamado como tal pelos seres nativos, dispara: “Que comece a bagunça!”.

Até essa epifania anárquica o filme mantém a expectativa de deslumbre, seja pela crua densidade dos créditos iniciais ou pela imensidão e beleza das paisagens da ilha, mas, assim como seu reinado, essa expectativa vai ruindo quando se percebe que a força do filme está exatamente no imaginário visual de Max mimetizado melancolicamente em vastos cenários e onírica e elegíaca trilha sonora de Karen O., vocalista do Yeah Yeah yeahs, ex namorada de Jonze.


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