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All reviews - Movies (77)

Sobre Misantropia e a Grande Maçã

Posted : 7 years, 2 months ago on 31 May 2010 08:48 (A review of Whatever Works)

Em seu retorno a Nova Iorque, Woody Allen também retoma seu facsímile no centro da trama com o protagonista deliberadamente alegórico, um físico teórico divorciado após uma frustrada tentativa de suicídio. Boris Yellnikoff entoa as predileções narcisistas do diretor, como a superioridade de Fred Astaire e Beethoven ao barulhento rock moderno; encarna forçosos maneirismos e divaga para a câmera acerca da estupidez humana ostentando um já batido comportamento antipático e pessimista de uma figura recém saída de tirinha de jornal, como quando se dirige as crianças, seus alunos de xadrez, como amadores cretinos ou zumbis imbecis.

Para personificar seus performáticos solilóquios acerca da casualidade e entropia do cosmos, há outra manobra de Allen ao evocar o ethos do personagem do mesmo Larry David na série Curb Your Enthusiasm, que tem a oferecer “mau humor, hipocondria, mórbidas fixações, raiva recalcada e misantropia” a jovem loira sulista Melody Celestino (Sra Marylin Manson) fugida para a Grande Maçã e encanta-se pelos discursos de uma persona quase indicada ao Nobel.

A orquestra de esteriótipos e clichês funciona com ocasionais boas linhas na dinâmica do improvável casal até que a mãe e pai de Melody apareçam e sejam instantaneamente reformados pela metrópole, de senhora alcoólatra e crente abandonada pelo marido à artista modernosa num relacionamento a três com outros dois intelectuais amigos de seu esclerótico genro, que, ainda que genioso (e genial?), não impede que ela ssuma uma missão cupido para a filha com um jovem e atraente aspirante a ator.

Whatever Works(2009), escrito na mesma época de Annie Hall, um roteiro pronto acrescido de uma ou outra referência do século vinte e um, resgata a condição irascível do rabugento que habita a alma de Allen e dominou seus protagonistas no início da carreira. Há um re-uso desta fórmula inicial, o que pode dar certo para os saudosos aficionados por sua Nova York alteregóica, diferente dos que valorizam uma evolução narrativa com a austera sofisticação de Match Point(2005) e Cassandra’s Dream(2007) ou a sensualidade sem fadatismo de Vicky Cristina(2008).


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Ativismo ao Curry

Posted : 7 years, 2 months ago on 31 May 2010 08:47 (A review of Nina's Heavenly Delights)

Em Nina’s Heavenly Delights (2006), a diretora Pratibha Parmar, queniana criada em Londres reconhecida por seu ativismo homossexual, constrói um romance lésbico no centro de um enredo gastronômico que se apresenta como uma sobremesa tão elaborada quanto uma salada de frutas.

Com a morte do pai, Nina retorna a Glasgow três anos após fugir de um casamento arranjado com outra família de descendência indiana que atua no ramo da culinária Taj Mahal. Um a um, ela conhece segredos da família, endossados por preconceitos étnicos e moralistas, enquanto assume a missão de conquistar o tricampeonato para o restaurante de seu pai em parceria com a namorada do irmão, por quem, entre uma fraterna guerra de farinha ou maliciosa degustação, se apaixona; mas diferente da mágica “química” entre temperos, o romance entre elas é tão saboroso quanto uma cestinha de pão.

Com um ritmo insosso, especiarias tão exóticas como a repetição do mantra “siga seu coração” e corantes artificiais evocados da subtrama de seu amigo de infância, um travesti afetado e seus menudos que tentam uma participação numa produção Bollywoodyana e o indigesto programa temático que televisiona a disputa da gastronomia indiana em Glasgow, o que “Índia, Amor e outras Delícias” tem de positivo é a funcionalidade de figurar em ‘cardápio’ de filmes tanto de temática Culinária quanto GBLT.


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O inescrutável Sabor da Melancia

Posted : 7 years, 2 months ago on 31 May 2010 08:27 (A review of The Wayward Cloud)

Em “What Time Is It There?”(2001), um vendedor de relógios de Taipei é tomado por um impulso de ajustá-los para o horário de Paris após uma venda para uma mulher em fuga para a capital francesa. Além de trechos de “Os Incompreendidos”(1959), Jean-Pierre Léaud, francês que interpretou o alteregóico Antoine Doinel nos filmes de Truffaut, faz uma participação no longa taiwanês.

Outra menção de Ming-liang Tsai ao icônico cineasta parisiense é a conservação de mesmo personagem em seus filmes. Em 2005, o ex-vendedor de relógios,agora ator pornô, reencontra sua melindrosa compradora no musical erótico, por assim dizer, “The Wayward Cloud”.

Apesar de considerar certa alienação das premiações de Berlim depois de Tropa de Elite, concorrendo com Standard Operating Procedure, Zuo You, Hanami e There Will be Blood, a condição de Urso de Prata foi a principal referência para experimentar “O Sabor da Melancia”(2005) recentemente na Virada Gastronômica.

Uma onde de calor e seca atinge a capital taiwanesa e em meio há um severo racionamento de água as apetitosas e hidratantes melancias estão supercotadas. Na cena inicial uma mulher deitada na cama sustenta o apetitoso fruto na virilha e um homem junta-se a ela em um ato sexual inter-reino e com alguns minutos a sala lotada já perde alguns espectadores. Instantaneamente me remeteu a um dos primeiros festivais que freqüentei, uma sessão de Anatomia do Inferno(2004) com Rocco Siffredi, nome que deixou de ser indiferente no início do primeiro tempo, quando fui eu que deixei a sala de projeção.

Mas diferente do didatismo fisionomista de Catherine Breillat, o ménage com a melancia produziu mais risos do que asco, e já simpatizante do circuito asiático, eu, já não tão cinematograficamente pudica, condenei as pessoas que ceifaram a fita tão brevemente, e decidi que eles estariam perdendo. Logo, aviso, esta segue uma resenha indulgente.

E para quem estava disposto a experimentar (ou fazer uma ‘limonada’ e dar risada num madrugada fria de virada cultural), não era difícil extrair entretenimento (sem igual) nas bizarras e surrealistas passagens musicais que eventualmente rompiam a ausência de diálogos com performances cafonas, como a do protagonista que recorreu a uma cisterna para banhar-se e metamorfoseado num homem-lagarto cantava para a lua, teatrais, no drama coreografado da atriz pornô em forma de mulher-aranha ou extravagantes, com as performances musicais coletivas a la Busby Berkeley.

Aliás, aos apontamentos metalingüístico na obra do diretor malaio soma-se o existencialismo e a premissa da incomunicabilidade de Antonioni, a escola cômica de Buster Keatone e, em especial nO Sabor da Melancia, o purgar de Vincent Gallo em “Brown Bunny”(2003). Ainda houve um momento tarantinesco com uma cena em que Hsiao-Kang traga o cigarro preso entre os dedos do pé de Shiang-chyi.

Em meio a tantas alegorias, metáforas, recursos, e evasão progressiva do público durante a sessão, Tsai me convenceu a alternância entre a absurda comédia que transbordava das cenas explícitas e a comoção minimalista no tenro romance que acontecia paralelamente.

A questão evocada, acerca da real intimidade ou proximidade entre duas pessoas, desenhada de maneira inicialmente desajeitada e leviana até incomodamente pungente no literal gozo final não deixa de ser uma conferência da inescrutabilidade dos cineastas contemporâneos.



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Alice in Disneyland

Posted : 7 years, 2 months ago on 31 May 2010 08:21 (A review of Alice in Wonderland)

É inegável o talento de Tim Burton para traduzir e construir mundos particulares (e peculiares) e ao assumir o comando da nova adaptação dos contos de Lewis Carroll, foi possível nos antecipar para um espetáculo visual recheado fantasia. Entregue. Os cenários surrealistas (de Carroll) e sombrios(de Burton) ainda receberam uma terceira dimensão que nos submerge juntamente com Alice no mundo mágico em “Alice in Wonderland“(2010).

O segundo talento de Burton, em delinear personagens marginais, que fogem a conveniências pré-estabelecidas, não apareceu no roteiro de Linda Woolverton (“A Bela e a Fera”(1991) , “O Rei Leão”(1994) e “Mulan”(1998)). Um tanto quanto confuso e superficial, a demanda dos padrões Disney, em oposição a aleatoriedade da viagem episodial de Alice contra o tédio.

Entre outros artifícios, Woolverton amadureceu Alice e entregou um tedioso prólogo para apresentar um dilema existencial para a protagonista. A nova Alice é agora uma adolescente libertária e feminista que confronta o uso do espartilho e questiona a decisão da mãe viúva em lhe arranjar casamento com um almofadinha, um tanto quanto repulsivo, conveniente para a família. É durante a cerimônia de noivado que Alice segue o emblemático coelho branco e retorna ao mundo onírico de seus sonhos de infância.

Em meio a fraca combinação, e muitos beiram apenas a citação, de exóticos personagens dos distintos Alice’s Adventures in Wonderland (publicado em 1865) e Through the Looking Glass(1871), a narrativa Disney impera e Alice ganha status de heroína com a missão de salvar o submundo do reinado da Rainha Vermelha de um monstro que facilmente poderia estar em Nárnia ou Hogwarts numa apoteótica batalha final da insossa Alice contra a fera, batalha que resume o longa: visualmente exuberante porém massacrado pela condução bestial- imperialista da estória e sua personagens alegóricas.

Nessa linha melindrosa entre o alegórico e o ridículo, segue a explicitamente forçosa Princesa Branca, mas, pelo conjunto da obra, a culpa não cai sobre Anne Hathaway pelos excessivos maneirismos, sua irmã má(!) é a Rainha Vermelha, que nos livros não é a que sentenciava compulsivamente as cabeças alheias, a de Copas. Apesar da falha é a única que invoca alguma curiosidade e simpatia do espectador, apesar de ser a vilã. E ainda os excelentes Crispin Glover, Stephen Fry e Alan Rickman como Valete de Copas, Gato Cheshire e a centopéia respectivamente, são igualmente minados pelas prioridades da superprodução:

Como o novo Chapeleiro, que passa por uma fonte da juventude para ganhar status de coprotagonista, numa versão completamente inacertada da doçura traumada de Edward (“…Mãos de Tesoura”) transvestida com uma peruca laranja latente, esbugalhados olhos verdes claros e dentes separados num resultado que facilmente se assemelha com uma Madonna a la Tim Burton. Além disso, Johnny Deep sujeita-se a um embaraçoso momento numa dança (break!) comemorativa que certamente deve agradar (somente) o público infanto-juvenil dos longas da Disney, e que ainda é repetido no epílogo por Alice quando retorna para a festa de noivado.


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Clash of the Titans review

Posted : 7 years, 2 months ago on 31 May 2010 08:16 (A review of Clash of the Titans)

O que esperar de mais um blockbuster protagonizado por Sam Worthington e sua irrefutável ausência de humor ou carisma sem ainda poder contar com a qualidade imersiva dos recursos visuais tecnológicos que salvaram Avatar(2009)?

O arrebatador marketing do 3D, integrado a fita após as filmagens encerradas em 2D, é um artifício a mais na lista de promessas não entregues por “Fúria de Titãs”(2010). Não há Titãns. Pelos menos, não os originais do monte Olimpo, aliás a assustadora criatura maligna prometida durante todo filme é emprestada da mitologia nórdica. Tampouco há Fúria. Num longa calcado e anunciado nos efeitos especiais, o uso dos óculos, a necessidade em pagar a diferença para recebê-los no início da sessão, se une ao um roteiro descalcificado na leviandade.

Como marionetes dos deuses de Hollywood, Sam Avatar é o bastardo semideus Perseu, curiosamente o único não transfigurado pelos maquiadores para o período helênico com cabelos e barba desgrenhados como Liam Neeson: um Zeus que, na condição de emburrado com a nova pretensão autônoma dos humanos, convoca para assustar os mortais seu irmão das trevas: Ralph Fiennes, como Lord Voldemort, quer dizer, Hades. Na verdade não só atores como também as criaturas e paisagens são como entidades emprestadas de “Harry Potter” e “O Escorpião Rei”.

Ainda ganha algum destaque o guerreiro Draco, personificado com o charme e suas, então reveladas, pernas finas do dinamarquês Mads Mikkelsen, o sisudo Le Chiffre de Casino Royale(2006). Os outros personagens apenas compõem uma dessaborida confusão polimitológica orquestrada por Louis Letterier, aquele mesmo que cinco anos após uma enxurrada de críticas negativas para o Hulk(2003) de Ang Lee, conseguiu executar um fiasco ainda pior com o re-remake de 2008, igualmente recheado de atores de linha justificando resultados vergonhosos com cachês astronômicos. Em “…Titãs“, Letterier consegue arrancar apenas bocejos durante a apoteótica evocação de Zeus para o releaseamento do Kraken: momento “ah, já tá acabando o filme”.

Vibração e curiosidade são propriedades exclusivas do trailler, apesar de não fugir a condição de compilação das cenas aproveitáveis de “Clash of Titans”, há um frenesi fugaz. A sincronia das batidas na trilha majestosa com as garras de um gigante escorpião aguilhoando contra o solo é particularmente emocionante.



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Una limonata per favore!

Posted : 7 years, 4 months ago on 31 March 2010 07:13 (A review of Mid-August Lunch)

O pacato Gianni é um filho dedicado integralmente a sua exigente nonagenária mama. As vésperas do dia da Assunção, em 15 de agosto, na irremediável condição de endividado, ele aceita cuidar da mãe do síndico durante o feriado na intenção de que ele alivie a pressão dos outros condôminos a respeito da dívida de seu aluguel, já acumulada há anos.

No dia seguinte recebe como hóspede não somente a espaçosa Marina mas também uma segunda senhora, tia Maria. E antes que o dia acabe, recebe a visita de seu médico, que durante uma cordeal consulta também acaba coagindo-o para cuidar de sua mãe no mesmo período. Gianni agora, além dos caprichos de sua matrona, precisa zelar pela alimentação, e algumas restrições, e medicação de suas novas hóspedes. Divide-se entre a preparação dos cômodos, das refeições, a disputa interna pela televisão e o distinto temperamento das viúvas.

Em contraste com a posição de fardo que essas senhoras podem assumir para seus filhos, está a generosa afetuosidade e paciência de Gianni, que tem em suas idas ao armazém, um momento para tomar um vinho na companhia de um conhecido enquanto trocam sentenças despretensiosas a respeito do tempo e da fuga dos moradores da cidade durante o ferragosto. Gianni nunca reclama mas mantém firme a perspectiva no prazo acordados com os respectivos filhos de suas hóspedes.

Com uma encantadora premissa da máxima dos limões e limonadas da vida, o intimista e agradável encontro de viúvas em “Pranzo di Ferragosto”(2008) tem conquistado não só o público mas principalmente os críticos mundo afora. Além de três prêmios em Veneza 2008, conquistou o Satyajit Ray Award no Festival de Londres. Vale contar que o prolífico cineasta indiano Satyajit Ray, então publicitário, foi fisgado pelo neorealismo de Ladri di Biciclette (1948), que marcou sua sólida carreira retratando situações do cotidiano em locações naturais e utilizando atores desconhecidos.

O roteirista italiano Gianni Di Gregorio, que estrela e dirige o parcialmente autobiográfico Almoço em Agosto, certamente foi merecedor deste prêmio em particular (anualmente concedido para a fita “que melhor capta a arte expressa na visão de Ray”) uma vez que, além ter sido rodado num apartamento que pertence a sua família, Gianni convocou uma tia, uma amiga e duas senhoras num asilo para comporem seu elenco.

A parceria bem sucedida com o diretor do aclamado Gomorra(2008), da qual Di Gregorio foi roteirista, é repetida. Seu conterrâneo Matteo Garrone assina a produção de ...Ferragosto, lançado este mês nos cinemas norte-americanos e reproduzindo o sucesso com a crítica sob título de Mid-August Lunch.


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O milagre das ovelhas e tulipas

Posted : 7 years, 4 months ago on 31 March 2010 07:11 (A review of Tulpan)

Tulpan(2008) emerge de um realismo social da singular rotina da vida nômade nas estepes do Cazaquistão, mas, a maneira como este lirismo etnográfico compõe a estória do romântico e lúdico Asa, faz desta produção uma experiência cinematográfica ímpar mais que agradável.

Na cena de abertura, um jovem vestido com uniforme de marinheiro discorre entusiasmadamente sobre os hábitos predatórios de um polvo gigante, para uma platéia nada comovida. Ele está tentando impressionar os pais e por trás de uma cortina, a enigmática jovem Tulpan. Ele está acompanhado de um carismático comerciante e o austero cunhado. A exigente Tulipa é sua única opção de futura esposa num raio de um dia de viagem de carro, e Asa, da forma mais pura e inocente, se apaixona pela garota de quem apenas via as mãos.

Depois de cumprir serviço naval, nosso singelo protagonista está morando com a dedicada irmã e seus três filhos pequenos, que ganham espaço merecidíssimo no longa, e tenta desastradamente seguir os passos de seu marido, um pastor de ovelhas. A rotina árida e a paisagem desolada, diferente de seu amigo que está sempre tentando convencer Asa a procurar emprego na cidade, é cenário para seu oásis, com um grande rebanho, uma esposa e uma yurt (espécie de tenta reforçada) bem decorada sob o céu estrelado da estepe cazaquistanesa.

Asa é um rapaz doce, demonstra-se um romântico irrecuperável sempre pensando em Tulpan durante os intervalos em que tenta ajudar o cunhado com o problema que tem assolado a família, as crias natimortas do rebanho, resultada em uma cena bela e visceral em Asa assiste uma ovelha durante um difícil parto, de forma documental como na produção alemã de 2003 rodada na Mongólia Camelos Também Choram, mas a presença e a pureza de Asa constróem na tela um pequeno e cativante milagre, são esses milagres cotidianos captados tão carinhosamente pelas lentes de Sergei Dvortsevoy que pode ser estendido para traduzir essa modesta e ao mesmo tempo grandiosa fita. Levou Un Certain Regard em Cannes 2008.


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Uma Cabeçada na Parede

Posted : 7 years, 4 months ago on 31 March 2010 07:11 (A review of The Men Who Stare at Goats)

A história das tentativas do exército dos EUA de potencializar poderes psíquicos para criar super-poderes, como atravessar paredes e fazer o coração de uma cabra parar apenas a encarando, é o pano de fundo para uma presumida comédia que ironiza a guerra do Iraque e os ideais do militarismo americano assume ares de grande estupidez em “Os Homens que Encaravam Cabras”(2009).

Um sargento (o mesmo ator no semelhante esteriotipado sargento de Avatar) levanta-se se sua mesa, atravessa a sala correndo e dá com a cabeça na parede, numa cena de abertura que pretty much resume o que está por vir. Ewan McGregor é um jornalista que acaba de ser trocado pela namorada pelo editor do jornal onde trabalha, um sujeito nada atraente e com braço mecânico(?), e decide encontrar um rumo para sua vida, “uma missão”, esta, que lhe cai no colo ao encontrar um veterano do Vietnã, um personagem meio pateta meio lunático de George Clooney.

Aos poucos Clooney relata em flashbacks a formação e treinamento da então, recém-criada, divisão Nova Era do exército, liderada por um new-hippie Jeff Bridges, que usa nomenclatura Jedi para seus soldados prodígios. Na academia de adivinhações regadas a LSD, o personagem arrogante porém sem talentos psíquicos aguçados de Kevin Spacey quer usar os fundamentos paz e amor dos supersoldados monges para “O Lado Negro”.

Se alguma intenção apologética de satirizar a guerra colocando um elenco de primeira semiretardado pelo efeito de ácido lisérgico funcionou para alguém, esse alguém certamente não fui eu.


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Rain na Chuva

Posted : 7 years, 4 months ago on 31 March 2010 07:09 (A review of Ninja Assassin)

Raizo, interpretado pelo coreano Rain (Speed Racer 2008), foi um órfão criado por um clã secreto que desenvolve exímios assassinos sob intensa e dolorosa rotina de filosofia e treinamento ninja. Quando outra aluna com quem nutria afeição mútua é executada depois de tentar fugir, Raizo se volta contra seu mestre e assim declara guerra contra seus ‘colegas de escola’ com clã. Sob este contexto e a premissa de que esses mestres marciais existem e são pagos 100 libras em ouro por governos do mundo todo para assassinar, “Ninja Assassino” entrega o que vende, muita cena de ação, alguns dedos e membros inteiros pelo chão decepados impiedosamente pelas poderosas lâminas samurais.

O desproporcional burburinho se deve a produção dos irmãos Wachowski, criadores da trilogia Matrix (1999-2003) e a direção de James McTeigue (“V de Vendetta”2005) abusando de recursos computadorizados para captar os vôos alçados por membros fatiados, jatos de litros e mais litros de sangue espirrados artisticamente pelas paredes de forma surpreendentemente convincente.

Sequências dos confrontos e carnificina resultante de difícil coreografia são muito bem orquestradas, inclusive uma que remonta timidamente e evoca o know-how da cena da via expressa em Matrix Reloaded(2003), o que corresponderia a elevar o status do longa no gênero não fosse, apesar de se assemelhar a uma versão oriental do Keanu Reeves, Rain não possui o magnetismo suficiente esperado para o protagonista, tampouco a agente Mika (familiar rosto coadjuvante Naomie Harris) com quem Raizo formará uma dupla dinâmica com posterior conotação romântica.


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Amelia é que era mulher de verdade!

Posted : 7 years, 4 months ago on 31 March 2010 07:03 (A review of Amelia)

Recheado de esmero, “Amelia”(2009) é uma biografia tediosamente morna. A história da aviadora do Kansas que foi a primeira mulher a cruzar o Pacífico e desapareceu durante a empreitada ao redor do mundo, parece ter sido reduzida a uma pequena ficção ordinariamente motivadora com frases de efeito como “quero ser livre” e que o céu é “um lugar bonito, simples, seguro, onde tudo é compreensível”.

A escalação de Hilary Swank foi um acerto, com sua aparência andrógina, os dentes grandes e o mesmo cabelo picotado compõem a figura legendária dos anos 30, mas apesar de sua personificação de Amelia Earheart, o roteiro falhado e sem ritmo apresenta uma protagonista muito esperta e assertiva, inicialmente insegura com seu corpo, a razão de usar calças masculinas, e intimidada pela figura do impassível editor George Putnam(Richard Gere), que posteriormente assume a figura de marido dedicado, complacente e, ao mesmo tempo, um eficiente relações-públicas, a transformando em queridinha da América e ícone de publicidade, emprestando seu nome para linhas de malas, por exemplo.

A própria Amelia também não é consistente, uma vez ousada e perseverante, uma feminista fervorosa, acaba esbanjando arrogância, “sou uma aventureira brilhante”, e teimosia e até imprudente no que diz respeito as condições de segurança em seus vôos.

Uma potencial subtrama, de outra talentosa jovem aviadora ( a “Alice”, Mia Wasikowska) que ameaça o status de Earherat é abruptamente retira de cena para dar lugar a implicações de um caso extraconjugal com o empresário da aviação Gene Vidal (Ewan McGregor), se a motivação era física, a química não funcionou, McGregor está plástico e inexpressivo como um figurante.

As falas beiram o formalismo e os diálogos transbordam em placidez, até mesmo quando seu marido e amante estão sob o mesmo teto, não há tensão. A diretora indiana Mira Nair (do mais recente Nova York, Eu te Amo) entrega um filme sem emoção, composto por repetidas imagens de sua perspectiva aérea como as as savanas africanas, por exemplo, e permeadas por acontecimentos de sua vida pessoal de forma tão morna como citações biográficas pontuadas.


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